A origem

A família Rodarte no Brasil
Claus Rodarte

O nome Rodarte é a adaptação ibérica de um nome francês com origem germânica, Rodart (em sua forma original, Hróðharð). Hróðr significa "glória", "fama", "reputação"; harð significa "forte", "duro". Se, por um lado, serve como descrição positiva ("forte em glória"), serve-nos também de alerta (o risco de nos deixarmos enrijecer pela reputação, o mal da soberba). Esse nome assumiu diferentes formas, conforme a época e a região: Rodart, Roudart, Roudard e Routard nas regiões que hoje correspondem à França e à Bélgica; Rudhardt, Ruthart, Ruthard e Röthart na região que hoje corresponde à Alemanha. Em Latim, o nome costumava ser grafado como Ruthardus.

Na região de Valenciennes (cidade que hoje faz parte da França), há registros indicando a presença de pessoas com o sobrenome Rodart desde o começo do século XV, época em que a região fazia parte do Condado de Hainaut, posteriormente integrado como uma província francófona do Sacro Império Romano da Nação Alemã.

Os relatos mais antigos que localizei remontam a Jehan Rodart, magistrado com jurisdição sobre as vilas de Valenciennes, Onnaing e Quarouble. Radicando-se em Valenciennes, Jehan Rodart teve um filho homônimo que, por sua vez, foi pai de Laurent Rodart, que teve um filho chamado Nicolas Rodart.

Esse Nicolas Rodart, bisneto do referido magistrado, dedicou-se ao comércio. Transitou entre Valenciennes e a Antuérpia, então importante centro comercial da Europa setentrional. Nicolas Rodart (que, na Antuérpia, acabou se tornando conhecido como Claes Rodart), ali adquiriu a cidadania em 1542. Presumo ser seu filho o jovem que saiu da Antuérpia e se radicou em Lisboa, ali ingressando na Irmandade de São Luís Rei dos Franceses por ocasião de seu casamento, em 1569: Laurent Rodart (que, em Portugal, tornar-se-ia conhecido como Lourenço Rodarte).

Lourenço Rodarte casou-se, em Lisboa, com a filha de um cavalheiro francês e uma dama flamenga, que serviu de dama de companhia da rainha, Dona Leonor (terceira esposa do rei Dom Manuel). Seu sogro participou da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578, na qual pereceu a fina flor da cavalaria portuguesa e desapareceu o rei Dom Sebastião. Na ocasião, um cunhado de Lourenço Rodarte foi feito prisioneiro e sacrificado pelos mouros.

Ao que parece, Lourenço Rodarte não teve filhos varões: apenas filhas. Uma delas, Isabel de Paris, casou-se em 1606 com o mercador hamburguês Andreas Suermann, com quem teve vários filhos, alguns falecidos de pouca idade. Dos que chegaram à idade adulta, destacam-se Miguel e Pedro.

Miguel nasceu em 1612 e, ao chegar à idade adulta, adotou os sobrenomes dos avós maternos. Assinava-se Miguel Rodarte Galopim. Pedro, nascido em 1623, aportuguesou-se, assinando-se Pedro da Silva Rodarte.

O nome Silva Rodarte, adotado por Pedro no século XVII e legado a seus descendentes, permaneceria inalterado até o século XX no Brasil, quando o Silva passou a ser abandonado e o nome Rodarte começou a ser combinado com outros sobrenomes.

Dos Silva Rodarte, o primeiro a se estabelecer definitivamente no Brasil, deixando por aqui descendência, chamava-se Luis Antonio da Silva Rodarte. Nasceu em 1748 no lugar de Terroso, povoado pertencente à freguesia de Palmeira de Faro (por sua vez, parte do concelho de Esposende), na província de Entre Douro e Minho.

Saído de Viana do Castelo, onde vivia seu padrinho, Luis Antonio chegou ao Brasil em 1766, no Rio de Janeiro, donde partiu para as Minas Gerais, radicando-se em São João del-Rei em 1771. Em São João del-Rei, Luis Antonio casou-se duas vezes: a primeira em 1774, casamento que não produziu filhos, e a segunda vez, após enviuvar-se, em 1784, casamento de que nasceram oito filhos (três falecidos na infância).

Luis Antonio faleceu em São João del-Rei em 1818. O filho mais velho, Joaquim Maximo da Silva Rodarte, nascido em São João del-Rei em 1787 e ordenado presbítero da Ordem de São Pedro em 1812, na episcopal cidade de Mariana, tornou-se o cabeça da família. Acompanharam-no, quando em 1828 ele foi nomeado pároco da freguesia de Campo Belo, seus quatro irmãos: Luis Carlos da Silva Rodarte, também padre, que - com a ajuda do irmão - foi nomeado em 1829 capelão de Candeias (então filial de Campo Belo), mas falecido logo em seguida, em 1832; Maria Ignacia Clotildes do Patrocinio (que, ao que parece, faleceu solteira, em Campo Belo, entre 1835 e 1838); João da Matta da Silva Rodarte, militar do regimento de cavalaria que, em 1834, seria nomeado instrutor de tática militar dos guardas nacionais de Campo Belo; e Carlos Jozé da Silva Rodarte, negociante com conhecimentos de cirurgia.

Deixaram descendência os dois irmãos do vigário de Campo Belo: João da Matta da Silva Rodarte, nascido em São João del-Rei em 1797 e falecido em Campo Belo entre o final de 1863 e o começo de 1864; e Carlos Jozé da Silva Rodarte, nascido em São João del-Rei em 1798 e falecido em Campo Belo em 1884. De Campo Belo, espalharam-se por Minas e pelo Brasil os descendentes de João e Carlos, dando origem aos dois ramos que denomino "joanino" e "carolino".

Comentários

  1. Caro Claus,
    Vc saberia informar a origem dos Rodarte de Lavras (MG), descendentes de Rodartino Rodarte, nascido no ano de 1898, se não me engano.
    Agradeço e parabenizo pelo trabalho de pesquisa.
    Grato,
    Fred Ozanam Rodarte de Abreu

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    1. Envie-me as informações que tem sobre o Rodartino e vou ver se tem relação com meus Rodarte de Campo Belo. Meu e-mail: italoifh@icloud.com

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  2. Documentos da igreja ( batismos, matrimônios, óbitos, De Genere vita et Moribus, processos de habilitação matrimonial etc) e de cartórios, judiciais, referências bibliográficas, se quiser ter acesso a elas, me envie e-mail: italoifh@icloud.com e diga o que especificamente você quer.
    Claus Rodarte ainda tem um trabalho publicado numa edição da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais- IHGMG.

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